Game X Zone - Batttle_Realms
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         Battle Realms

 

Battle Realms, chegou, viu e venceu. É o mínimo que podemos dizer deste jogo que chegou ao topo dos jogos de estratégia em tempo real (ETR), confirmando assim as excelentes impressões da nossa antevisão. Trazendo muitas novas ideias num sistema de jogo já à muito tempo demasiado clássico, Battle Realms deverá seduzir um bom número de jogadores. Vejamos porquê.


 

 
     

 

 

O homem atrás do jogo

Battle Realms, é a obra de Ed Del Castillo, mais conhecido pelos jogadores como o criador de Siege, Ambush ou ainda como o produtor da série Command & Conquer. Considerado Senhor ETR (Estratégia em Tempo Real), visivelmente deu tudo o que tinha em Battle Realms, o primeiro jogo da Liquid Entertainment, a sua nova sociedade. Em vez de nos servir a mesma receita com um molho 3D, como está na moda, ele conseguiu acrescentar novas ideias de gameplay e um universo fantasy de influências muito asiáticas que dá um certo brilho ao jogo.


Esquecido no seu país, desconhecido algures, tal é o destino do viajante

Como em todos os bons ETR, o jogador tem a escolha entre uma campanha, um modo multiplayers bem requintado, e o inevitável modo "escaramouche" para aqueles que não têm amigos. Nos modos multi e "escaramouche" poderás encarnar cada um dos quatro clãs presentes, enquanto que na campanha terás de te submeter unicamente na pele de Kenji, o filho amaldiçoado do clã do Dragão. O seu pai, antigo líder do clã, sofreu uma morte brutal e sangrenta. Encontrando-se no sítio errado no momento errado, o nosso bravo Kenji vê todas as suspeitas recaírem sobre ele e prefere exilar-se durante 7 anos. O seu regresso a um Japão ensanguentado e desfeito por vários clãs marca o início da campanha.
Irás assim entrar na pele do filho desacreditado e, desde da primeira missão, terás de escolher o teu campo, o venerável Clã do Dragão ou o pérfido Clã da Serpente.
A campanha não é nada linear, e pode jogar-se de várias maneiras, dando assim uma grande variedade de jogabilidade ao título em solo. Podemos distingir duas sub-campanhas, de 15 missões cada, mas como existem várias escolhas e encadeamentos é possível jogar 36 missões diferentes. Uma campanha bem produzida para uma longevidade sólida.

Um ETR diferente dos outros

Evidentemente, uma grande parte do gameplay de Battle Realms é comum ao género, e por isso idêntico a outros ETR. Será assim necessário enviar os teus pequenos camponeses colher os recursos necessários para a construção de uma armada suficientemente forte. Aqui, os recurso principais, são o arroz e a água. O arroz é necessário para todas as construções, enquanto que a água é necessária para certas construções mais avançadas, como o treino das tropas.
O que distingue Battle Realms dos outros ETR, é essencialmente a maneira de produzir unidades e de as treinar, que o senhor Del Castilho chamou de "sistema de recursos vivos". Os camponeses não são produzidos por ti, eles saiem sozinhos da casa para ir trabalhar. Uma barra gráfica, em baixo à esquerda, indica a frequência de geração dos camponeses. A velocidade desta está directamente ligada à população e diminui à medida que o número de unidades aumenta. Assim, um jogador que possui poucas unidades irá produzir mais camponeses, o que lhe irá permitir ter uma melhor recuperação. O interesse principal no início é dar a possibilidade d se e reconstruir rapidamente, dando assim mais ritmo e dinamismo às partidas. Aqui o uso das tácticas de rush (produção de unidades em grande número, rapidamente) são menos eficazes, e pedem um pouco mais de reflexão.

Outra inovação, é que aqui, as unidades militares não são produzidas a partir do nada nas suas casernas. As tuas unidades militares não passam de camponeses que sofreram o treino nos diversos edifícios para o efeito.
Pegamos por exemplo o clã do Dragão. Se o camponês segue a formação num dojo, ele irá tornar-se num soldado da infantaria. Se a sua formação for numa escola de tiro de arco, ele irá tornar-se num arqueiro. Depois se pegares no arqueiro e o puseres num dojo, tonará-se num guerreiro, mas se o colocares num laboratório, tornará-se num género de pirotécnico. Um camponês que passa pelos três centros de treino torna-se num Samurai. é igualmente possível automatizar a aprendizagem das unidades, dando-lhes a indicação de passar automaticamente de um edifício para outro para criar especificamente um tipo de soldado, cada edifício pode ser ocupado apenas por uma unidade de cada vez.

Cada unidade tem forças, fraquezas e movimentos específicos segundo a sua classe. Por exemplo, um samurai contorna o seu adversário muito rapidamente para evitar encontrar-se entre dois inimigos. Outras unidades saltam para traz para se protegerem e ressaltam para a frente para contra-atacar. Isto tudo torna os combates mais vivos do que estamos habituados a ver. De uma maneira geral, o mundo de Battle Realms respira vida.


 

Um gameplay focalizado nos combates

Numerosos jogos de estratégia em tempo real (ETR) tais como Age of Kings ou Starcraft são bastante baseados no nível de velocidade de produção. Isto era mais ou menos assim, se tinhas um conjunto de unidades mais importante do que o teu adversário, ganhavas. Para Ed Del Castillo, o controlo dos recursos deve ocupar apenas uma pequena parte do tempo do jogador. Encontramos aliás nos combates de Battle Realms filiação directa com a serie Myth, para o que consiste o aspecto estratégico. Em Battle Realms, é preciso coordenar inteligentemente as nossas unidades para poder vencer, e o velho hábito de construção em massa dos outros ETR, esquece-o. E se mantiveres este hábito, os resultados serão certamente mais longos de obter. Enfim, é preciso saber analisar a situação e utilizar as boas combinações de unidades para aniquilares o teu adversário.

Uma grande riqueza do jogo são os quatro clãs. O clã do Dragão é o mais próximo do Japão tradicional e medieval. O clã da Serpente será o mais maléfico e vicioso dos clãs. O clã do Lotus vem de uma inspiração doentia e imoral. Por fim, o clã do Lobo, mais fácil de controlar, possui unidades mais maciças e robustas. E todos esses clãs são muito diferentes no seu estilo de jogo. Battle Realms traz igualmente um recurso original, quando o teu herói se mostra valioso nos combates, ganha pontos: os de Yin e de Yang. Estes pontos podem ser gastos em várias melhorias, chamado Battle Gears (arqueiros que podem atirarem mais longe, mais resistência, etc.), ou podem ser utilizados para adquirir outros heróis, que são muito importante nos combates. Uma grande engenhosidade dos programadores, é que obtemos mais pontos de Yin e Yang quando combatemos longe da nossa base, o que evita bastante as tácticas dos jogadores demasiado defensivas, obrigando-os a ir para a luta. Se os jogadores querem unidades poderosas - tal como os heróis- devem procurar confrontos.

Mas atenção, não devemos também levar todas as nossas tropas ao mesmo tempo para frente de combate. As unidades cansam-se durante os combates e regeneram-se sozinhas ao descansar. Isto parece ser só um pequeno pormenor, mas traz ao jogo uma dimensão estratégica enorme. Isto obriga-te a nunca fazer lutar as tuas unidades até a morte, mas a substitui-las por tropas mais frescas, durante o tempo necessário para que os feridos recuperem.


 

Uma realização sem falha

O interface é sóbrio, limpo e com gráficos cuidados. Descobrimos um excelente trabalho feito com gosto. Os gráficos, todos em 3D real (nada de 2D isométrico), são muito bem definidos e as animações das unidades são terrivelmente boas. E com um PIII 800 podes deliciar estes gráficos com a resolução em 1024x768 com os detalhes no máximo sempre com uma boa fluidez. O pathfinding das unidades (gestão das deslocações), um dos pontos difícil dos ETR, está perfeito. Os programadores trabalharam imenso sobre as trajectórias usadas pelas unidades durante as deslocações. As tropas já não viram como robôs no último momento, utilizam caminhos mais curvilíneos dando assim mais vida e coerência ao conjunto. As vozes apresentam-se com qualidade e bem realizadas, assim como a música que não queremos de modo nenhum desligar.

O interface é claro, eficaz, e só lamento a falta de formações para as nossas tropas. Uma vez a batalha iniciada, será necessário controlar todo o nosso pequeno mundo e as batalhas em grande número podem por vez dar a sensação de confusão. Mas como o número máximo de unidades está limitado (entre 20 e 40, 30 por defeito), e como o gameplay está focalizado nos combates, resolvemos o problema utilizando grupos de 7 unidades em média, como o aconselhou Ed Del Castillo. Mais do isto, torna-se difícil de gerir eficazmente o combate.

Um multiplayer de grande qualidade

Para acabar tranquilizo os adeptos da carnificina entre amigos. O modo multiplayer de Battle Realms manteve todas as suas promessas, graças nomeadamente ao gameplay, mas também graças à grande diversidade dos quatros clãs presentes, e das suas próprias unidades. O modo escaramouche irá ajudar-te a familiarizar com as especificidade de cada clã, além de fazermos frente a um IA de muito respeito. Terás de gerir inteligentemente as tuas tropas, conhecer as forças e as fraquezas de cada unidade, explorar a utilização dos cavalos e dos battle-gears (pontos Yin e Yang). Um grande modo multiplayer, com as suas seis dezenas de mapas, que prolonga ainda mais a longevidade do jogo.

Conclusão

Battle Realms é incontestavelmente um sucesso. Mesmo sem renovar completamente o género, ele traz uma tonelada de inovações nos mecanismos do jogo, uma grande profundidade estratégica, clãs variados, o todo servido por uma realização irrepreensível. Para apreciares este jogo tens de simplesmente repensar um pouco as tuas estratégias habituais de produção em massa. Os jogadores encontrarão em Battle Realms um ETR muito rico que saberá apaixona-los ao longo da campanha solo antes de prolongar o prazer durante horas via multiplayers.

Ficha Técnica:

Produtor : Liquid Entertainment

Editor : Crave Entertainment

Data lançamento : 29 Novembro de 2001

Género/Tema : Estratégia em Tempo Real / Clãs asiatícos

Configuração mínima : Pentium II 400 MHz, 64 MB Ram, Pl. Graf. 3D

Configuração recomendada : Pentium III 750 MHz, 128 MB Ram, Pl. Graf. 3D

Saiba mais: http://battlerealms.ubi.com/

 

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